Nas mãos deles…

IMG_5945

Eu não sumi, nem parei de escrever… eu apenas estava aproveitando a vida!

Foi 1 mês de pausa no tratamento para meu corpo se recuperar daquelas bombas químicas adoráveis que tomei durante 5 meses. No total, foram mais de 50 picadas de agulha (em seus diferentes calibres) no braço e na barriga, que incluíam quimioterapias, injeções para imunidade, para ovário, antialérgicos, antienjoos e exames de sangue. Tudo isso eu consegui realizar sem precisar colocar o famoso cateter. Tem gente que diz que ele é a melhor coisa para aplicação das quimios, mas eu me dei bem com as agulhadas toda semana na veia (ou melhor, nas veias, porque até as da mão não escaparam). Mas precisei tomar muita água diariamente e fazer alguns exercícios para que minhas veias não desaparecessem. E deu super certo!

A recuperação dessa primeira fase está sendo muito rápida, fico abismada do tanto que nosso corpo trabalha de forma fantástica. Eu tinha medo de que aquela enorme falta de vontade de fazer qualquer coisa (sim, me senti deprimida por muitas vezes e sem motivo) fosse permanecer pra sempre, mas não, hoje tenho vontade de muitas coisas, inclusive de sexo! O cansaço com o mínimo de esforço, o formigamento nos dedos dos pés, a menopausa precoce e uns quilinhos a mais ainda habitam meu corpo e vão demorar um pouco pra sair, mas… os meus cabelos!!! Eles já estão visíveis, com bastante falha ainda, mas estou começando a seguir aquelas dicas de shampoo específico e vitaminas. Na verdade, estou ansiosa mais por ver como será meu visual com cabelo bem curtinho do que querer realmente que eles cresçam. Desde que me conheço por gente eu tinha cabelos compridos. Ficar careca é tão mais prático (e eu adoro praticidade): é tão bom tomar banho de cabeça depois da meia noite sem se preocupar em dormir de cabelo molhado.

A maior parte das coisas que eu estava impedida de fazer nesses últimos meses eu já dei um jeito de matar as saudades: já tomei cerveja e vinho, já destruí na comida japonesa, já fui pra balada, já viajei pra longe… Muita coisa ainda falta, como assistir a shows, dançar ou viajar com os amigos, por exemplo, mas o ano está só começando… E agora eu consigo pensar mais adiante, num prazo mais longo que o de 1 semana, pois era assim que eu costumava pensar durante as quimioterapias que me limitavam as atividades entre uma aplicação e outra.

Em meio a isso tudo e a outras questões pessoais, comecei a dedicar minhas energias em busca da minha espiritualidade. Não sou religiosa, mas tenho fé, acredito no poder do universo e da mente, em forças maiores, em energias e vibrações, em espíritos, em vidas passadas, no amor, na medicina tradicional e na ayurvédica e, principalmente, nas pessoas. E alimentar essa minha fé que estava apagada tem me feito muito bem.

Bom, mas vamos ao que todo mundo está querendo saber: a próxima fase do tratamento.

Será agora, essa sexta-feira, a cirurgia para retirada do pequeno “ser” que me acompanha diariamente há alguns meses.

Para as pessoas que optam pelo tratamento neoajuvante (primeiro quimio e depois cirurgia, como é o meu caso), os exames para verificar o tamanho do tumor só são feitos antes de começar o tratamento quimioterápico e após ele terminar, para então se programar a cirurgia. Meu tumor diminuiu de 3 para 1,2cm de diâmetro, resultado muito satisfatório segundo meus médicos. Parece pequeno, né, mas eu ainda sinto o “intruso” aqui facilmente. Ele só não sumiu por completo porque tive que deixar de tomar um medicamento nas quimios que estava diminuindo muito minha imunidade e poderia ficar inviável a continuação do tratamento.

A cirurgia será uma quadrantectomia (onde se retira apenas um quarto da mama e da pele junto com o tumor), e não a mastectomia (quando se retira a mama inteira). Também será feita a retirada do linfonodo sentinela da minha axila (não será necessário fazer o esvaziamento axilar), para verificar a existência ou não de tumor nesse gânglio, uma vez que ele é o primeiro linfonodo a receber drenagem linfática do tumor primário da mama e afetar outros gânglios a ponto de espalhar para o restante dos órgãos. Clinicamente, meu linfonodo é negativo, mas só com a biópsia é que teremos certeza. Lembra daquele “x” no estadiamento do meu câncer (T2NxM0)? Então, é ele que iremos descobrir depois da cirurgia. E pra ele ser encontrado no momento da operação, é necessário fazer um exame de marcação um dia antes da cirurgia, chamado Linfocintilografia.

A escolha da cirurgia e do esvaziamento axilar depende do estadiamento do câncer, do tamanho do tumor e do tamanho da mama (e já que papai do céu foi generoso me dando muito seio, meu médico acredita conseguir fazer um bom trabalho a ponto de uma mama não ficar tão diferente da outra). Para esclarecer, nesta cirurgia, não colocarei prótese e nem farei plástica, isso tudo ficará para ser pensando e discutido num outro momento daqui a 1 ano mais ou menos, quando eu já tiver terminado todo o tratamento e quiser resolver os problemas estéticos que poderão aparecer. Além disso, ainda preciso fazer uma análise de DNA para saber se meu câncer foi causado por mutação genética, pois se positivo a tendência médica é a de retirada das mamas, útero e ovário. Mas como ainda não consegui realizar essa análise (por burocracias brasileiras), optei pela cirurgia conservadora, para que esse “ser” saia do meu corpo o mais rápido possível, além de estar muito bem respaldada no hospital A.C. Camargo, onde consigo fazer todo meu tratamento de forma confiável.

É claro que nesses últimos dias fiquei apreensiva por não ter certeza absoluta se a cirurgia conservadora era a melhor escolha para minha cura. Conversei com várias “amigas do peito”, aquelas que a gente conhece a partir do momento em que tem câncer de mama. Também consultei outro médico, que teve outra opinião: retirar as mamas e colocar prótese. Mas esse processo iria demorar mais 1 mês para ter aprovação parcial do convênio (pois eles só pagam pela reconstrução da mama afetada pelo tumor) e, mesmo assim, estudos mostram que os riscos de uma recidiva local após a mastectomia seriam equivalentes aos de uma cirurgia conservadora.

Uma coisa é certa quando se tem câncer: não se pode perder tempo. Então, lá vou eu para a primeira cirurgia da minha vida. E você, vê se vai lá me visitar. Antes ou depois da cirurgia, eu irei adorar receber visitas! E aqui no blog, nos vemos depois, quando eu já for uma outra pessoa sem essa “coisa” dentro de mim! =)

 

Data: 19/02/2016 (sexta-feira).

Horário da cirurgia: previsão para iniciar às 13h e terminar até as 15h, mas eu estarei no quarto desde cedo na sexta até a tarde de sábado, provavelmente.

Local: Hospital A.C. Camargo, em São Paulo.

Horário de visita: das 10h às 21h.

Anúncios

One thought on “Nas mãos deles…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s