Cirurgia, Quimio, Radio… Nessa mesma ordem ou seria o contrário?!

A próxima etapa era contar para minha família, amigos e para o pessoal do meu trabalho sobre o diagnóstico e realizar os exames solicitados.

papi e mami

JuFui pra cidade dos meus pais dar essa tão difícil notícia a eles. A estratégia que encontramos (pois meu namorado foi essencial pra conter minha ansiedade nessa hora) pra amenizar as coisas foi primeiro mostrar que eu estava bem (e eu estava mesmo) e ir usando palavras bem sutis pra explicar o diagnóstico e todo o processo que nos esperava. Era um fim de semana em que comemoraríamos o aniversário da minha tia, praticamente minha segunda mãe. Foi num almoço de sábado, onde estavam meus pais e meu irmão. Depois do choque, do choro e do medo que toma conta da situação, conseguimos pensar racionalmente no assunto. A partir daí fui contando pra minha tia, meus tios, aos meus familiares que estavam longe contei por telefone, com o passar dos dias fui contando para os amigos mais próximos e a notícia foi se espalhando… Tive até festinha surpresa no bar pra contar a “novidade” e um brinde ao meu câncer de mama! Ninguém conseguia acreditar no diagnóstico, mas eu precisava ser forte pra que eles também se sentissem fortes e eu não desabasse. E deu certo! Todos nós conseguimos ter serenidade suficiente pra encarar de frente esse problema que havia se colocado em nossas vidas. E como eu não sentia nada físico, nenhuma dor, nada, foi mais fácil todos entenderem que eu estava bem e que tudo daria certo.

Familia

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FullSizeRenderIMG_3582O outro desafio era no meu trabalho: como contar tudo isso numa empresa em que estava trabalhando há apenas 2 meses?! Mas era isso que eu tinha que fazer… e fui muito surpreendida com a atitude de todos eles. Minhas chefes foram extremamenttrabalhoe sensíveis com o que eu estava passando e sempre pensavam na minha saúde em primeiro lugar. Minha equipe de trabalho (meus amigos de tão pouco tempo) foram muito receptivos e sempre estavam dispostos a me ouvir e segurar a barra com minhas ausências para realizar os exames e consultas.

Os exames tinham que ser marcados com urgência para saber se eu poderia operar e também se eu tinha metástase em alguma parte do corpo! Essa palavrinha dá um frio na espinha só de falar. Consegui realizar todos os exames com extrema rapidez, nunca tive um plano de saúde tão bom (Porto Seguro Saúde)! Foram eles:
– Exame de sangue
– Eletrocardiograma
– Cintilografia óssea
– Ressonância magnética de crânio
– Tomografia computadorizada de tórax e abdômen superior
– Ressonância magnética de mamas
– Mamografia bilateral
– Ultrassonografia second-look de mamas e axilas
– Estudo Imunohistoquímico (é um exame muito importante para se saber mais detalhadamente o tipo do tumor, o que definirá como será o tratamento)
Esse último exame demora um tempinho pra ficar pronto, mas foi o que mudou o rumo do meu tratamento…
Ao mesmo tempo, fomos (meu namorado estava lá comigo também!) atrás de passar por outros médicos, para ouvir segundas e terceiras opiniões. Ao todo, fui em 4 mastologistas e 3 oncologistas. E as condutas foram um pouco diferentes, até mesmo divergentes em alguns casos (só pra me confundir um pouquinho).

Com meu estudo imunohistoquímico em mãos, comecei a pesquisar sobre o tipo do meu tumor. É isso mesmo, não existe apenas UM câncer de mama, existem vários. E cada tipo tem um tratamento específico. O meu chama-se Triplo Negativo, muito prazer.
A característica do Triplo Negativo é não ter os 3 biomarcadores presentes nos outros tipos de tumores. São eles: receptores de estrógeno, progesterona e HER2. Cerca de 10 a 20% dos tumores representam os triplo negativos, e costumam atingir mulheres mais jovens. Eles são frequentemente mais agressivos, tendem a crescer mais rápido, têm mais possibilidade de dar metástases mais cedo, e pode voltar a aparecer com mais frequência nos próximos anos. Para esse tipo de câncer de mama, não houve muitos avanços na medicina com relação ao tratamento, e pra acabar com ele, dependemos exclusivamente da cirurgia, quimioterapia e radioterapia (nem sempre nessa mesma ordem).

Foi aí que recebi a informação de um dos mastologistas que passei: o melhor tratamento para meu tipo de câncer seria o Tratamento Neoadjuvante, ou seja, começar com a quimioterapia, e só depois realizar a cirurgia para retirada do tumor, e radioterapia pra completar.
Depois de pensar muito e ler bastante, decidi seguir com o Tratamento Neoadjuvante. A quimioterapia, que estava a uns 2 meses de distância num primeiro momento, já seria para dali uns 10 dias. Troquei de mastologista, de oncologista, de hospital! E a melhor coisa foi eu ter ido para um hospital que é um centro de tratamento, estudo e pesquisa em câncer (Hospital A.C. Camargo), pois lá temos todas as especialidades médicas e podemos realizar todos os exames num só local. Aliás, eu tive que realizar mais alguns procedimentos para poder começar a quimioterapia:
– Ecocardiograma (seria preciso monitorar meu coração por conta do potencial cardiotóxico das drogas usadas na quimioterapia)
– Clipagem do nódulo (foi preciso clipar meu tumor pois a expectativa é de que o nódulo reduza bastante de tamanho e, caso ele desapareça, existirá um clipe justamente no local onde estava o nódulo, para nortear a cirurgia que irá retirar as células que podem ter sido afetadas)

E eu estava pronta pra começar a tão temida quimioterapia! Ahhh, o resultado dos exames! Então, a partir deles foi possível classificar meu câncer de mama da seguinte forma: T2NxM0, onde T é o tamanho do tumor (T2 é quando o tumor tem entre 2 e 5 cm de diâmetro), N é se os linfonodo foram atingidos (só temos como saber na cirurgia) e M é a presença de metástases à distância (no meu caso, a AUSÊNCIA!).

 

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6 thoughts on “Cirurgia, Quimio, Radio… Nessa mesma ordem ou seria o contrário?!

  1. Agora revivi um pouco todo o meu desespero quando soube. Meus 4 dias chorando sem parar, minha ansiedade a cada resultado e a minha força após nossa primeira conversa particular… Foi ali, no exato momento em que vc me disse que não pensou nunca na morte e que não morreria de câncer que eu tive a certeza que vc ficará curada. Foi ali que percebi que vc era a mais forte de todos nós é que eu precisava ser forte tbm pq vc precisaria disso. Vc não se entregaria a doença, não entraria em depressão mas vc desabaria se visse que nós estávamos sofrendo. E foi ali que eu tive a certeza de que juntas nós vamos até o fim!
    Te amo!

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    • Lana, nunca vou esquecer de você do outro lado do telefone chorando e dizendo: “Mas vc não merece isso! Pq vc? Esse resultado deve estar errado!”. E eu rindo dizendo que foram analisados 10 fragmentos do nódulo e que não tinha como estar errado! E eu nunca imaginaria que ficaríamos mais próximas ainda do que já éramos, não só no quanto vc tem nos ajudado, mas no carinho que sinto de vc… incondicional. Mas o amor é assim mesmo, né? Incondicional. Obrigada, prima!

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    • kkkkkkk Magrela?! A cachorra do meu irmão?! rs. Essa foi boa. Não sei de onde vc tira tanta criatividade pra essas coisas… Mas essa é uma de suas grandes qualidades né!
      E sim, meu namorado é um anjo sim! rs.
      Bjs

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  2. Depois de ler as frases e as palavras tão bem colocadas, que emociona, estou admirada pela garra e força de vontade da minha amada sobrinha.
    De onde, minha querida, vc consegue tirar tanta força para superar tudo isso?
    Agradeço por estar nos mostrando que a vida é bela e que vale a pena viver, quando, por tão pouco, queremos morrer.
    Obrigada pelo exemplo de luta diante desse imenso problema que enfrenta, porque vc sempre soube que tudo se ajeita.
    Tenha certeza que a cura já está dentro de vc, porque vc vê o lado bom de tudo.
    Te amo sempre!
    Bjs

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    • Tia Vera!!! Que bom ver vc comentando por aqui. De onde tiro essa força?! De tudo o que vocês me ensinaram a vida toda, da educação que vocês me deram e, principalmente, do amor que temos um pelo outro. Obrigada por estar sempre presente na minha vida e por me dar forças em qualquer momento. Os momentos ruins a gente passa por cima e depois lembrará deles com o grande aprendizado que eles nos deram. Já estou curada sim! Um grande beijo. Te amo muito!

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